NOVA YORK, 3 de janeiro de 2026, 18:21 ET — Mercado fechado
- As ações da Chevron fecharam em alta de 2,3% na sexta-feira, antes de um ataque militar dos EUA na Venezuela no fim de semana.
- A CVX é a única grande petroleira dos EUA ainda operando na Venezuela, exportando petróleo pesado por meio de joint ventures com a PDVSA sob uma licença restrita dos EUA.
- Os investidores vão acompanhar a abertura de segunda-feira para a primeira reação completa do mercado, além de sinais sobre sanções, exportações e a política de oferta da OPEP+.
A Chevron (NYSE: CVX) esteve em destaque no sábado após o presidente Donald Trump afirmar que forças dos EUA atacaram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A ação foi negociada pela última vez a US$ 155,90, alta de 2,3% em relação ao fechamento anterior, após oscilar entre US$ 151,25 e US$ 155,96 na sessão de sexta-feira. Reuters
A Chevron afirmou que estava focada na segurança dos funcionários e na integridade de seus ativos na Venezuela, onde é a única grande petroleira dos EUA ainda operando e exporta cerca de 150.000 barris por dia (bpd) de petróleo pesado de joint ventures com a estatal PDVSA. Em fevereiro, Trump revogou uma licença emitida pelo ex-presidente Joe Biden e, em julho, concedeu uma nova autorização restrita do Tesouro dos EUA que permite à Chevron operar de forma limitada e trocar petróleo — trocando cargas em vez de pagar em dinheiro — desde que nenhum recurso do petróleo chegue ao governo de Maduro. Trump disse que empresas petrolíferas dos EUA investiriam bilhões para reparar a infraestrutura petrolífera da Venezuela, e “a Chevron está imediatamente posicionada para se beneficiar mais”, disse Francisco Monaldi, diretor do Programa de Energia para a América Latina do Baker Institute da Rice University. Reuters
A nova escalada também aumentou o risco operacional de curto prazo. As exportações de petróleo da Venezuela estão paralisadas e podem afetar navios fretados pela Chevron, já que capitães de porto não autorizaram a saída de petroleiros carregados, disseram fontes próximas às operações à Reuters. Os tanques de armazenamento e até mesmo embarcações usadas para armazenamento flutuante encheram rapidamente, aumentando o risco de a PDVSA ter que reduzir a produção se as cargas continuarem retidas, disseram as fontes. Reuters
A produção e o refino da PDVSA estavam operando normalmente e não sofreram danos com o ataque dos EUA, disseram duas pessoas familiarizadas com as operações. As medidas dos EUA anunciadas no mês passado — incluindo um bloqueio a petroleiros — já haviam afastado muitos proprietários de embarcações das águas venezuelanas e aumentado os estoques, informou a Reuters. Reuters
Com a operação ocorrendo fora do horário de negociação das ações nos EUA, os investidores terão o primeiro sinal completo de preço quando os mercados reabrirem na segunda-feira. O impacto imediato nos lucros ainda depende do escopo da autorização dos EUA para a Chevron e se os barris podem fisicamente sair do país.
Os pares da Chevron subiram no fim de semana: a Exxon Mobil fechou em alta de 1,9% e a ConocoPhillips ganhou 3,3% nas negociações de sexta-feira à noite, enquanto a fornecedora de serviços petrolíferos SLB subiu 4,8%. Os preços do petróleo encerraram a primeira sessão de 2026 em baixa, apesar do risco geopolítico, com o petróleo dos EUA fechando a US$ 57,32 por barril e o Brent a US$ 60,75, informou a Reuters. Reuters
O setor petrolífero da Venezuela tem sofrido com a falta de capital há anos, mesmo com o país possuindo cerca de 303 bilhões de barris em reservas, cerca de 17% do total global. A produção média foi de cerca de 1,1 milhão de barris por dia no ano passado, com a maioria das reservas localizada na região de petróleo pesado do Orinoco, disse a Reuters. Reuters
Para os investidores da Chevron, a situação se divide em duas: risco de interrupção agora versus opcionalidade de longo prazo caso as sanções sejam flexibilizadas e os termos contratuais se estabilizem. Peter McNally, chefe global de analistas setoriais da Third Bridge, disse que reconstruir a indústria petrolífera da Venezuela exigiria dezenas de bilhões de dólares e pelo menos uma década de compromisso contínuo.
A Chevron mantém presença na Venezuela há mais de um século, segundo a empresa, mas teve que lidar com mudanças na política dos EUA sobre sanções e licenças. Exxon e ConocoPhillips saíram após projetos serem nacionalizados há quase duas décadas, e qualquer retorno dependeria do acordo político e do marco legal que vier a ser estabelecido.
Antes da próxima sessão, os investidores estarão atentos a possíveis sinais de Washington sobre mudanças nas autorizações do Tesouro que regem as operações da Chevron na Venezuela, e se a PDVSA retomará as liberações portuárias para cargas de petróleo bruto. Qualquer atualização da Chevron sobre equipe, segurança ou embarques seria um catalisador importante para a CVX na abertura de segunda-feira.
Os negociadores de petróleo também têm uma reunião da OPEP+ no domingo, um encontro de membros da OPEP e aliados que coordenam a oferta. Economistas e investidores disseram que o mercado de petróleo pode mostrar a reação mais clara primeiro, com os mercados mais amplos potencialmente adotando uma visão mais cautelosa até que detalhes das políticas sejam divulgados. Reuters
No mercado de ações, os negociadores estarão atentos para ver se a CVX consegue se manter acima da mínima de sexta-feira de US$ 151,25 ou testar novamente a área dos US$ 156 quando as negociações regulares forem retomadas. Uma quebra em qualquer direção pode amplificar oscilações motivadas por manchetes.
A próxima atualização de resultados agendada da Chevron é outro catalisador, com os calendários de resultados estimando um relatório do quarto trimestre por volta de 30 de janeiro, embora a empresa possa atualizar essa data. Os investidores buscarão comentários sobre produção internacional, margens de refino e retorno de capital à medida que aumenta a incerteza relacionada à Venezuela. Nasdaq