Nova York, 16 de março de 2026, 10h27 EDT.
Ações de tecnologia impulsionaram os índices dos EUA logo na abertura desta segunda-feira, interrompendo uma sequência de três semanas de perdas, enquanto a queda nos preços do petróleo aliviou o sentimento de aversão ao risco. O Dow começou o dia subindo 148,9 pontos, aos 46.707,4. O S&P 500 avançou 42,2 pontos, chegando a 6.674,37, e o Nasdaq Composite subiu 235 pontos, atingindo 22.340,39. Reuters
O momento não passou despercebido pelos investidores. O Federal Reserve inicia sua reunião de 17 a 18 de março nesta terça-feira, com ampla expectativa de que as taxas permaneçam inalteradas enquanto as autoridades avaliam se as tensões com o Irã indicam um crescimento mais fraco, uma inflação mais persistente ou, potencialmente, ambos. Reuters
O mercado sofreu na sexta-feira. O Dow caiu 119,38 pontos, o S&P 500 recuou 40,43 e o Nasdaq perdeu 206,62. E o Russell 2000? Fechou no seu menor nível do ano. Entre os setores do S&P, tecnologia foi o que mais ficou para trás. Reuters
Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira, mas o risco geopolítico não desapareceu. O Brent caiu 92 centavos, para US$ 102,22 o barril. O West Texas Intermediate dos EUA teve queda mais acentuada, de US$ 3,45, chegando a US$ 95,26. Ambos os índices de referência, porém, já subiram mais de 40% neste mês, impulsionados por ataques próximos ao Golfo e gargalos de oferta no Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto do tráfego mundial de petróleo e GNL. Reuters
A incerteza ainda paira sobre os dados. Segundo o Bureau of Economic Analysis, os gastos pessoais de janeiro — o índice de inflação acompanhado pelo Fed — registraram alta de 2,8% em relação ao ano anterior. O núcleo do PCE subiu 3,1%. Enquanto isso, a agência revisou para baixo a estimativa de crescimento do PIB do quarto trimestre, para um ritmo anualizado de 0,7%. Bureau of Economic Analysis
Parte do otimismo por um afrouxamento do Fed já foi descartada. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez anos ficaram em 4,23% nesta segunda-feira. As chances de um corte do Fed em junho? Caíram drasticamente — para 26%, ante 69% há apenas um mês. Kenneth Broux, do Societe Generale, diz que os investidores agora avaliam se o choque do petróleo vai gerar mais inflação ou empurrar as economias para a recessão. O STOXX 600 da Europa subiu 0,3%, as ações da Ásia-Pacífico avançaram 0,7%. O S&P 500, porém, segue 3,5% abaixo desde o início do conflito. Reuters
O cenário técnico de curto prazo parece um pouco melhor, embora os ganhos sejam modestos. O analista Christopher Lewis, da FXEmpire, destacou que o Nasdaq 100, o Dow Jones 30 e o S&P 500 estão todos se recuperando a partir de suas médias móveis exponenciais de 200 dias — uma linha de tendência amplamente acompanhada que enfatiza a ação recente. Lewis apontou 25.000 para o Nasdaq 100, 47.000 para o Dow e 6.800 para o S&P 500 como os próximos obstáculos para os otimistas. FXEmpire
Há um argumento para manter a paciência, sem entrar em pânico. Hyun Song Shin, principal assessor econômico do Banco de Compensações Internacionais, sugeriu que os bancos centrais “ignorem” choques de energia causados pela oferta—assumindo que sejam de curta duração—ainda que ele tenha chamado os últimos movimentos do mercado de “um quadro muito confuso” após o petróleo disparar 40% neste mês. Reuters
Existe o risco de que a recuperação de segunda-feira seja apenas uma solução temporária. Segundo o Goldman Sachs, um choque agudo na oferta de petróleo poderia fazer o S&P 500 cair para cerca de 5.400 este ano—aproximadamente 19% abaixo de onde fechou na sexta-feira. Um choque de crescimento mais brando nos EUA deixaria o índice mais próximo de 6.300. O Goldman mantém sua projeção de 7.600 para o final do ano, mas aponta a guerra no Irã como outra ameaça de queda, especialmente considerando as avaliações elevadas. Reuters
Wall Street inicia o pregão com menos obstáculos, mas ainda não há uma mudança clara. Nesta semana, o Fed, o BCE, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão realizam reuniões—marcando apenas a segunda vez que esses grandes bancos centrais se reúnem simultaneamente. Os investidores estão atentos para ver se a queda do petróleo vai durar o suficiente para que os formuladores de políticas a considerem um choque temporário, e não o início de algo maior. Reuters