LONDRES, 23 de março de 2026, 07:50 (GMT)
O ouro sofreu uma forte queda na segunda-feira. Os preços à vista para entrega imediata caíram 5,8%, para US$ 4.226,16 a onça às 06h33 GMT — o menor valor de 2026 e um nível não visto desde 11 de dezembro. Os contratos futuros de ouro dos EUA para abril acompanharam a queda, despencando 7,5%, para US$ 4.231,80. Reuters
Desta vez, o ouro não está desempenhando seu papel habitual de porto seguro. Os investidores observam o petróleo ultrapassar US$ 110 o barril, a inflação causar preocupações e os rendimentos subirem enquanto o Estreito de Ormuz permanece efetivamente fechado. Um dólar mais forte só reforça essa mudança. Reuters
O ouro não oferece rendimento, então quando os juros sobem, tende a sentir a pressão. O rendimento do Treasury de 10 anos dos EUA atingiu 4,415% — e agora, operadores de futuros apostam na possibilidade de um aumento dos juros pelo Fed, em vez de um corte até o fim do ano. Bancos centrais como o BCE, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão adotaram um tom mais agressivo em suas recentes comunicações de política monetária. Reuters
A sequência de perdas do ouro já dura nove sessões. A queda da semana passada superou 10% — a maior queda semanal desde fevereiro de 1983. Os preços já recuaram mais de 20% em relação ao recorde histórico de US$ 5.594,82 a onça registrado em 29 de janeiro. Reuters
Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, observou que as expectativas “mudaram de cortes para possíveis aumentos de juros” enquanto o conflito com o Irã entra na quarta semana. Ele destacou que a liquidez do ouro está jogando contra o metal, já que investidores vendem posições para cobrir chamadas de margem em outros mercados durante o movimento geral de aversão ao risco. Reuters
As perdas atingiram todo o setor de metais preciosos, com a prata caindo 8,9%, a platina recuando 9% e o paládio caindo 5,2%. Os investidores parecem estar reduzindo o risco em todo o complexo, não apenas no ouro. Reuters
O índice do dólar subiu 0,29% enquanto os principais índices acionários asiáticos caíram, com os preços do petróleo ainda elevados. Os investidores interpretam essa combinação como um sinal de estagflação — inflação em alta combinada com crescimento mais fraco — o que alimenta expectativas de cortes limitados nos juros e condições financeiras mais rígidas. Reuters
A crise energética continua se aprofundando. Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, classificou a crise como mais grave do que os choques do petróleo dos anos 1970, observando que a guerra retirou 11 milhões de barris por dia da oferta mundial. A agência está em negociações com governos para recorrer novamente às reservas estratégicas, após já ter liberado 400 milhões de barris. Reuters
O destino dos preços do ouro ainda depende do petróleo e do que acontece no Estreito de Ormuz. “A solução mais importante de todas” foi como Birol descreveu a reabertura da hidrovia. Shane Oliver, da AMP, por sua vez, destacou o risco de um conflito prolongado empurrar o petróleo para US$ 150 o barril—o que alimentaria ainda mais os rendimentos, o dólar e o ouro. Uma reabertura mais rápida, porém, poderia aliviar o choque inflacionário que agora abala o comércio. Reuters
Os caçadores de pechinchas ainda não estão entrando. “Uma busca significativa por pechinchas” precisa ver condições mais estáveis em toda a região, disse Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos do OCBC. Com o petróleo, as taxas e o dólar ainda em foco, os traders estão, por enquanto, segurando o apelo do ouro como porto seguro.